Esta sexta-feira, depois de um plenário que reuniu os 630 trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, a Comissão de Trabalhadores apelou aos vianenses e a todos os portugueses para que façam um boicote aos produtos dos Açores. António Costa, porta-voz dos trabalhadores, respondia assim ao facto de a Atlânticoline, empresa açoriana, ter lançado um concurso público para fretar, por mais de 16 milhões de euros, dois navios de passageiros para operação nos Açores.
Recorde-se que, em 2009, os ENVC concluíram a construção do navio Atlântida, avaliado em 50 milhões de euros, mas o Governo Regional dos Açores acabou por rescindir o contrato com a empresa vianense e rejeitou o navio por causa de uma diferença de um nó na velocidade máxima do ferryboat. Entretanto, a Atlânticoline já gastou 21 milhões de euros no fretamento de dois navios a um armador grego para as ligações sazonais inter-ilhas, entre 2009 e 2012. A 6 de agosto, a Atlânticoline lançou um concurso público internacional, de novo para o fretamento de dois navios para transporte de passageiros e viaturas, para as próximas operações, 2013 e 2014, por 16,4 milhões de euros. O "Atlântida", considerado pela Comissão de Trabalhadores um “navio casino”, está há um ano atracado na Base Naval do Alfeite, sem destino definido. António Costa diz que os trabalhadores têm sofrido “terrorismo psicológico” e mostra-se muito preocupado com o futuro da empresa. Por tudo isto, o responsável diz que é “inadmissível” o Governo dos Açores ter lançado este concurso e apela a um boicote geral dos produtos que vêm dos Açores, como o leite, a carne e o queijo.
António Costa volta a afirmar que esta questão do ferry Atlântida é uma caso de polícia e que deve ser alvo de uma “investigação séria”. O trabalhador diz que o boicote tem “pernas para andar” porque a população vianense está sensível aos problemas dos Estaleiros. O representante dos trabalhadores diz que esta seria uma forma de evitar que continuem a “gozar com o dinheiro dos impostos portugueses” e chama os navios fretados ao armador grego de “carroças”. Diz ainda querer saber quem manda no país: o presidente do Governo dos Açores ou o Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho.
Neste plenário, foi aprovada uma moção onde os trabalhadores exigem ao Conselho de Administração que “oficialize o acordado com a Comissão de Trabalhadores, fazendo constar, na ata da última Reunião, realizada em 3 de Agosto de 2012, de forma explícita e objetiva que a implementação da nova macroestrutura, não implica a eliminação, nem dispensa de postos de trabalho”. Pedem ainda ao Conselho de Administração “que não fique estagnado à espera da triste reprivatização, mas sim, que procure alternativas de trabalho para a empresa, pois não tem tido a capacidade para ocupar toda a sua mão-de-obra disponível, como é sua obrigação”. Solicitam ao Governo de Portugal uma orientação contra a submissão estratégica da construção naval do país e anunciam que no dia 12 de setembro vão realizar uma Reunião Geral de Trabalhadores para encontrarem outras formas de luta.





