Movimentos cívicos de contestação à prospeção e exploração de lítio vão reunir em Vila Nova de Cerveira

Representantes de 10 movimentos cívicos de contestação à prospeção e exploração de lítio em Portugal vão reunir-se no sábado em Vila Nova de Cerveira, para definir novas formas de “dinamização cívica” para alertar para o problema.

“O objetivo prioritário é a reunião de todos os movimentos cívicos, até para percebermos, todos, como é que está a situação em cada uma das zonas e, depois, para vermos quais são as possibilidades de luta, se há espaço para uma espécie de plataforma nacional. Está tudo em aberto, não há nada predefinido”, afirmou hoje à Lusa o porta voz do movimento SOS Serra D’Arga, Carlos Seixas.

Além da participação dos movimentos cívicos, o encontro nacional, organizado pelo movimento cívico que se opõe à prospeção e exploração de lítio na Serra D’Arga, território comum aos concelhos de Caminha, Viana do Castelo, Ponte de Lima e Vila Nova de Cerveira, todos no Alto Minho, contará com a presença de autarcas e de representantes de seis dos sete partidos com representação parlamentar.

“Queremos perceber onde se posicionam os partidos políticos, mas mais do que os partidos políticos os futuros deputados à Assembleia da República”, especificou.

Carlos Seixas sublinhou que “cada região do país tem a sua especificidade, mas, no fundo, todas reclamam a mesma coisa”.

“O objetivo é dizermos que estamos todos juntos na mesma mensagem. Que não se faça qualquer furo na nossa região, porque a população não foi ouvida, porque há uma série de consequências para o mundo rural que está a ser atacado desta forma”.

Carlos Seixas adiantou que será a mesma “mensagem” a passar na manifestação nacional marcada para dia 21, em Lisboa, intitulada “Não às minas” – “Contra a febre da mineração em Portugal”.

No sábado, no encontro nacional em Vila Nova de Cerveira participam o Movimento Contra a Mineração Beira Serra, o Movimento Anti-Lítio Braga, o GPSA – Grupo Preservação Serra da Argemela, o Movimento de Defesa do Ambiente e Património do Alto Minho, a Associação Covas do Barroso, a Associação Montalegre com Vida, os Guardiões da Serra da Estrela e ainda o movimento Em Defesa da Serra da Peneda e do Soajo.

O encontro nacional, aberto à participação do público, decorre no sábado, entre as 10:30 e as 17:00, no cineteatro de Vila Nova de Cerveira.

“Além dos 10 movimentos cívicos, dos partidos com assento parlamentar e de representantes de câmaras do distrito de Viana do Castelo, estarão presentes oito associações ambientalistas, entre elas a Quercus, m-APA e ContraMINAcción”.

No caso do distrito de Viana do Castelo, e segundo dados fornecidos hoje à Lusa pelo coordenador do projeto “Da Serra d’Arga à Foz do Âncora”, que envolve os municípios de Caminha, Viana do Castelo e Ponte de Lima, Guilherme Lagido, a Serra d’Arga abrange uma área de 10 mil hectares, dos quais 4.280 hectares encontram-se classificados como Sítio de Importância Comunitária.

O responsável, que é também vice-presidente da Câmara de Caminha, adiantou que “cerca de 90% dos 10 mil hectares da Serra d’Arga distribuem-se pelos concelhos de Caminha e Viana do Castelo, 8% no concelho de Ponte de Lima e os restantes 2% em Vila Nova de Cerveira.

O projeto “Da Serra d’Arga à Foz do Âncora” foi apresentado publicamente em junho. Envolve os concelhos de Caminha, Viana do Castelo e Ponte de Lima e visa a classificação daquele território como Área de Paisagem Protegida como forma de travar o projeto de prospeção de minerais.

Em julho, o Governo decidiu “excecionar” o sítio Rede Natura 2000 Serra d’Arga do conjunto de áreas a integrar no concurso para a prospeção de lítio.

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