Cafés de Viana surpreendem com resposta favorável à entrada de animais de estimação

Vários cafés do centro de Viana do Castelo surpreenderam ao apresentar um parecer favorável à entrada de animais de estimação nos estabelecimentos, quando questionados pela Rádio GEICE. Alguns responsáveis garantem que vão aceitar os animais de braços abertos, outros negam de forma categórica, mas vários demonstraram uma posição favorável, embora com algumas reservas. No entanto, muitas das reservas prendem-se com o desconhecimento de algumas regras que estão incluídas na lei, aprovada por unanimidade na passada sexta-feira e que entra em vigor em maio.

Sara Fernandes, do hostel Maçã de Eva, é completamente a favor. É algo que já tinha pensado e já tem as áreas para clientes com e sem animais predefinidas. “Sabemos que há pessoas que não gostam de estar em contacto com animais, e como o nosso estabelecimento está dividido por ala direita e ala esquerda a nível de hostel, decidimos que a ala esquerda seria dedicada a hóspedes com animais e na ala direita, não aceitaremos”, resumiu.

De facto, o novo texto prevê que os donos dos estabelecimentos possam criar uma área reservada para clientes com animais e outra onde a estadia dos animais não é permitida, de forma a poder resolver a situação com a segregação dos espaços.

O snack-bar Aconchego, em frente à Câmara de Viana, também vai estar de portas abertas a companheiros de 4 patas. Para Augusto Magalhães, proprietário do snack-bar, a permissão é “lógica”, desde que “com algumas regras”, revelando até que já tinha “dado o jeito” algumas vezes a certos clientes.

No entanto, do outro lado do espectro, Carlos Barbosa revelou que não pretende aceitar animais no Café Rainha Santa, do qual é responsável. O responsável revelou que depois de ter estado atento ao que se tem dito sobre este assunto, chegou à conclusão que existem pessoas que, apesar de gostarem de animais, pensam que estes “têm sítios para estar e sítios para andar”. Argumentou com o exemplo de uma pessoa que poderia estar a almoçar, acabar por ter “um cão a lamber as pernas, ou os pés, ou a cheirar as calças do outro indivíduo”.

Segundo o documento agora aprovado, apesar da entrada aos animais de estimação ser permitida nos espaços que assim o determinem, estes devem estar sempre presos, “com trela curta”, e “não podem circular livremente” nos estabelecimentos.

A Pastelaria Vandôme, representada por Alzira Barros, afirmou inicialmente que não pretendia deixar entrar animais porque “os clientes não vão gostar”, mas quando questionada sobre as limitações que a lei vai impor, referiu que “seria um caso a pensar”.

Regina Natário, encarregue da Pastelaria Natário, na Avenida dos Combatentes, também se mostrou inicialmente reticente, mas depois de saber as atenuantes da lei, revelou à GEICE que “sendo assim, com essas normas, já é mais fácil uma pessoa decidir e poder deixar entrar”.

Na pastelaria Manuel Natário, Alexandre Domingues respondeu da mesma forma. Apesar de mostrar apreensão, revelou que o estabelecimento reconhecido poderia passar a aceitar animais de estimação, referindo que “é uma coisa a ver”.

Jaime Lima, responsável pelo Café 1º de Maio, teve atitude semelhante. Embora no início afirmasse que não tinha decisão tomada sobre o assunto, passou a ficar muito mais solto quando soube das regras. Afirmou que “é muito mais seguro e tem muita mais lógica eles andarem de trela do que entrarem soltos e andarem como querem”, pelo que a opinião ficou mais favorável.

Ainda assim, para restaurantes, o caso é mais complicado. Domingos Soares, dono do restaurante/snack-bar Bandeira, afirmou que “em princípio não” ia deixar animais no estabelecimento. Apesar de demonstrar alguma possibilidade para mudar, confessou que tal seria complicado.

Além das regras já referidas, o texto da nova lei explica que os responsáveis podem definir uma lotação máxima de animais pelo restaurante, de modo a “salvaguardar o seu normal funcionamento”. O problema é que em relação aos tamanhos dos animais, não se inscreve na legislação qualquer tipo de especificidade. A possibilidade de escolha quanto à permissão ou proibição de entrada dos animais consoante o porte e estatura não se inclui na lei, pelo que os comerciantes deverão permitir a entrada a todos os animais ou a nenhum.

O texto de substituição, acordado na comissão de Economia, foi aprovado com base em projetos do Partido Ecologista “Os Verdes”, do Pessoas-Animais-Natureza (PAN) e do Bloco de Esquerda (BE), tendo sido acolhidas propostas de alteração por parte do PS.

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One Thought to “Cafés de Viana surpreendem com resposta favorável à entrada de animais de estimação”

  1. José Migueis Cachadinha

    Pois sobre os animais, sejam ou não de estimação, todos mas mesmo todos deveriam ser tratados pelos outros de” 2 patas” com o mesmo “timbre” como são tratados estes!
    Porém sempre direi que Casa onde, entra gente não entra cão nem gato!
    Porque onde entra cão e gato não entra gente!
    Explicando as pessoas não entram nas “casotas dos cães e gatos, porque não cabem
    Também os cães e gatos não devem entrar nas casas dos humanos.

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