Politécnico de Viana realiza conferência sobre perigos do gás Radão com especialista internacional

Esta sexta-feira realizou-se o 1º workshop sobre o gás Radão, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (ESTG-IPVC), e que contou com a presença do especialista Bernard Collignan. Este workshop insere-se no âmbito do projeto investigativo “RnMonitor: Infraestrutura de Monitorização Online e Estratégias de Mitigação Ativa do Gás Radão no Ar Interior em Edifícios Públicos da Região Norte de Portugal”, do qual o IPVC é parte integrante.

“Este projeto RnMonitor tem como objetivo responder a uma necessidade local”, revelou à GEICE o professor António Curado, docente do IPVC e organizador desta conferência. A produção deste gás é mais incidente em componentes graníticas, pelo que o risco da existência de contaminação é maior na região do Alto Minho, considerando a forte existência de construções deste tipo no território. O radão não tem cor, sabor ou cheiro, mas é altamente radioativo. É a segunda maior causa de cancro do pulmão depois do tabagismo. Estima-se atualmente que cerca de 10% dos cancros do pulmão devem-se ao radão.

“Há uma correlação direta entre questões ligadas à saúde pública, questões ligadas ao aparecimento de problemas pulmonares e a ocupação ou habitação de edifícios de natureza granítica”, explicou o professor, afirmando que “ninguém no Alto Minho estudou este tipo de questões ainda”, pelo que “o IPVC está a debruçar-se pela primeira vez sobre este tipo de matérias”.  Segundo o docente, o IPVC já monitorizou em estudos anteriores edifícios de habitação e edifícios de serviços que “dão um indicador muito gravoso e que pode levar a problemas de riscos sérios”, comparando esta problemática a uma “bomba-relógio que as pessoas têm em casa”.

Presente em Viana do Castelo esteve Bernard Collignan, cientista do Institut Carnot do Centre Scientifique et Technique du Batiment (CSTB) de Grenoble, em França. A especialidade deste cientista é “a forma de proteger os edifícios em relação à entrada do gás radão, presente naturalmente no solo, que se vai infiltrar nestes edifícios”. Collignan explicou que o radão é um gás que vem diretamente da “cadeia de decomposição radioativa que parte do urânio”. Este gás volta a decompor-se, mas só depois de um período de 4 dias, mais do que suficiente para afetar os residentes ou trabalhadores de edifícios contaminados.

“Quanto mais exposto ao gás radão, mais fácil é fazer o cálculo para avaliar os riscos associados”, revelou o francês, explicando que as pessoas afetadas “inalam o gás, onde passam a ocorrer pequenas descargas de raios alfas dentro dos próprios pulmões que irão impactar as células pulmonares e que, em fortes quantidades vão provocar cancro do pulmão”. Visto tratar-se de um gás sem cor, odor ou sabor, este “não é perceptível”, o que só por si dificulta a gestão, mas também dificulta a sensibilização das populações. “É muito difícil explicar às pessoas que há um risco associado a este gás”, lamentou.

Durante a palestra, Collignan explicou quais as melhores formas de proteger os edifícios já existentes e como preparar a indústria da construção civil para o futuro, de forma a assegurar a segurança de potenciais moradores ou trabalhadores em edifícios novos localizados em zona de risco.

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