125º aniversário do nascimento de Almada Negreiros em destaque na programação do Centro Dramático de Viana

Nesta quarta-feira, a companhia Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana apresentou a programação para o primeiro trimestre deste ano. A programação do Centro Dramático de viana irá alinhar-se neste trimestre com o que vai ser feito em termos nacionais, com a “divulgação e celebração da obra de um artista multifacetado e incontornável do século XX português: Almada Negreiros”. O dia 7 de abril irá assinalar os 125 anos do nascimento do artista, pelo que o Teatro do Noroeste quer “dedicar uma criação à obra artística e à vida desse autor”, segundo Ricardo Simões, diretor artístico, ao associar-se às comemorações e diversas iniciativas que serão realizadas a nível nacional. A sessão decorreu no Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo, e contou com Ricardo Simões, Ana Perfeito, membro da direção, e Elisabete Pinto, presidente da direção da companhia.

Um dos focos da companhia para estes meses será o trabalho desenvolvido pelas três oficinas que realiza: a Ativajúnior, Ativasénior e a dos ex-trabalhadores dos antigos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Em conjunto, as 3 vão apresentar um espetáculo sobre Almada Negreiros, intitulado “Almada, 125 anos, Negreiros”, a 24 de março. Este trabalho com as oficinas assenta em três eixos: a criação artística, o projeto comunidade e o serviço educativo.

Além disso, este ano será ainda marcado pela estreia do Circuito Ibérico de Artes Cénicas, que a companhia integra. A partir de janeiro, “em conjunto com mais 7 companhias portuguesas e 7 companhias de Espanha”, a Teatro do Noroeste vai participar “num circuito de intercâmbio de espetáculos dos dois lados da fronteira”, revelou Ricardo Simões. No âmbito desta colaboração, serão realizados em Viana do Castelo dois espetáculos desse circuito, um espanhol e um português: a 3 de fevereiro a companhia espanhola do Teatro Guiragai irá representar “Los Ultimos Paganos” e, a 17 de março, Centro Dramático de Évora (CENDREV) subirá ao palco do Café Cinema, ao lado do teatro, para representar a peça “Ñaque, ou sobre piolhos e atores”.

O crescimento da companhia é outro dos pontos centrais do Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana, dinamizado por esta integração no Circuito Ibérico de Artes Cénicas. Através desta parceria, a companhia vai ter mais oportunidades para pôr em obra as suas encenações a nível nacional, com atuações fora da região Norte, assim como além-fronteiras, com representações internacionais, nomeadamente em Espanha. Será o caso no próximo dia 15 de março, onde a companhia vai representar “24A74 – Salgueiro Maia” em Sevilha e no dia seguinte em Los Santos de Maimona. “É para nós um privilégio e algo estratégico, um circuito que nos abre novas portas do lado espanhol, é um fator de crescimento para nós, é algo que se abre e durante os próximos anos o Teatro do Noroeste vai incrementar a sua circulação nacional e internacional, o que para nós é fundamental”, sublinhou Ricardo Simões.

Em relação ao resto da agenda, o diretor artístico afirmou estes três meses serão marcados com um acolhimento novo por mês com o primeiro, “O Fascismo (aqui) nunca existiu”, desempenhado pela companhia Art’Imagem, com texto da autoria de José Leitão, a realizar-se a 24 de janeiro. De 20 de fevereiro até 24 de março, de terça a sexta, será realizada a primeira produção da companhia do Teatro do Noroeste deste ano, com a encenação de “Antes de Começar” por Elisabete Pinto que irá adaptar este texto de Almada Negreiros.

Outro grande evento de destaque será a celebração do Dia Mundial do Teatro, a 27 de março, onde o Teatro Sá de Miranda irá receber uma “companhia histórica”, segundo Ricardo Simões, a do Teatro da Comuna, que estará em Viana para representar a peça “Crise no Parque Eduardo VII”.

Para terminar a agenda, o dirigente revelou ainda que será realizada uma iniciativa chamada “Portas do Tempo”. Patrocinada pela Comunidade Intermunicipal do Alto-Minho (CIM Alto Minho), é uma coprodução entre o Teatro do Noroeste e as Comédias do Minho, as duas companhias profissionais deste território. A decorrer pelos 10 concelhos do distrito, este projeto consiste na realização por um artista em cada um destes de uma experiência científica e outra artística.

Ricardo Simões referiu que a programação destes 3 meses “prende-se a um momento de expectativa” no qual a companhia se encontra. “Ainda não há resultados oficiais, nem oficiosos, do concurso de apoio sustentado para os próximos 4 anos da Direção Geral das Artes e isso dificulta bastante qualquer esforço de programação”, explicou o diretor artístico. A Teatro do Noroeste concorreu a esses fundos em dezembro do ano passado, e aguarda que as entidades deliberem sobre as ajudas a atribuir.

Esta programação foi feita para três meses precisamente porque a companhia espera uma resposta sobre este financiamento até abril, altura em que Ricardo Simões espera ser possível apresentar a programação do resto do ano. Elisabete Pinto referiu que a sustentação da programação da companhia, para estes 3 meses, se faz com “venda de bilhetes, o trabalho de uma equipa resiliente e determinada em não desistir, e o apoio da Câmara de Viana”. “Isto leva também a refletir um bocado sobre a dificuldade que é continuar a gerir uma companhia sem qualquer apoio”, admitiu a presidente da direção, deixando claro que esta gestão tem sido complicada: “são mais três meses à espera de ver resultados da candidatura”.

 

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